O Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), centro de conservação da Cinemateca Portuguesa, recebeu, no dia 21 de setembro, a visita do vereador da Câmara Municipal de Loures com o pelouro da Economia e Inovação, Nelson Batista.
É no Freixial, na freguesia de Bucelas, que, desde 1996, a Cinemateca Portuguesa realiza as funções de salvaguarda, conservação e investigação do património cinematográfico, com destaque para as atividades de preservação, pesquisa técnica e acesso sobre as coleções fílmicas, videográficas e digitais.
A construção, de raiz, deste espaço permitiu à Cinemateca ter a coleção fílmica toda no mesmo sítio, acondicionada em espaços climatizados, com controlo de temperatura e humidade relativa, que são essenciais para a sua conservação. Até 1996, a mesma estava desmembrada e distribuída por vários espaços que não possuíam as condições mínimas necessárias.
Na visita realizada a 21 de setembro, o vereador da Câmara Municipal de Loures, Nelson Batista, foi recebido pelo diretor e pelo subdiretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa e Rui Machado, respetivamente, e ainda pelo diretor do departamento ANIM, Tiago Baptista, que fizeram as honras daquele que é considerado o guardião do cinema em Portugal.
José Manuel Costa conduziu o início da visita pela área dos Cofres, onde se encontram armazenados filmes em acetato e poliéster, num espaço climatizado, com temperatura a 12 graus e um nível de humidade relativa de 30%. Aqui residem enormes estantes onde se acomodam centenas de latas, cada uma com a sua bobina, devidamente identificadas. Em 2010, o ANIM construiu uma segunda fase de cofres, com as mesmas características técnicas.
Ainda antes da visita prosseguir para o setor da Revisão, momento em que as bobinas saem dos cofres e passam por um processo de verificação e reparação manual dos materiais fílmicos, antes e depois de serem utilizadas, o subdiretor da Cinemateca revelou que, atualmente, a totalidade de títulos existente no arquivo ascende a 40 mil, correspondendo a mais de 100 mil materiais inventariados.
Seguiu-se uma visita à área da Identificação, onde decorre a inspeção, inventariação e integração de novos materiais na coleção fílmica da Cinemateca, bem como ao laboratório fílmico do ANIM, que dispõe de equipamentos que permitem o restauro e a preservação de obras cinematográficas, sendo considerado, segundo Rui Machado, “um dos laboratórios de fotoquímica mais completos de toda a Europa”. As salas de Correção de cor, de Som e da Digitalização foram igualmente visitadas.
A Digitalização é um processo em fase de ascensão no ANIM e importante para que este património possa ser visto em formato digital numa sala de cinema ou até mesmo em casa.
Já o vereador responsável pelo pelouro da Economia e Inovação na Câmara Municipal de Loures, Nelson Batista, mostrou disponibilidade, por parte da Autarquia, para trabalhar em parceria com a Cinemateca Portuguesa, aproveitando o protocolo já celebrado entre ambas as entidades.
Este protocolo visa a disponibilização de recursos do Município, nomeadamente, da Equipa de Sapadores Florestais, na prevenção de incêndios florestais e na gestão florestal, em colaboração com a Cinemateca, nas áreas da Quinta da Cerca, onde está instalado o ANIM. O mesmo visa ainda a disponibilização do centro de conservação da Cinemateca a munícipes e às escolas do concelho, para visitas de interesse histórico, cultural e artístico, bem como do espaço anexo ao edifício principal do ANIM, para a realização de eventos.
Recorde-se que a coleção de imagens em movimento conservadas no ANIM é muito diversificada e inclui diferentes tipos de suportes, tais como analógicos e digitais. Depósito para filmes em suporte de nitrato de celulosa, área de acondicionamento de filmes em suporte não-inflamável e depósito de suportes videográficos e digitais, são alguns dos suportes cinematográficos que se encontram armazenados nos espaços climatizados existentes no ANIM para este efeito.